Infância


Quando era pequena, quando ser alta era estar no colo do meu pai, quando a única contorção que a minha boca fazia era num sorriso, quando ser adulta era ser bonita, … Aí, no meu mundo de fantasia, eu imaginava todo o meu ser transformado. Olhava para o espelho e imaginava alguém igual, mas maior, mais segura.
Lembro-me que a minha avó tinha um espelho na parede, no qual eu precisava de estar no colo de alguém para me conseguir ver. Lembro-me que anos depois apenas precisava de saltar, que anos depois só precisava de me pôr em bicos de pés e que mais tarde, conseguia ver-me sem nada ter de fazer .
Agora sou quase maior que esse espelho.
Revejo agora todos os filmes da minha infância. E choro. Porque foram os meus melhores anos.
Ao longo do tempo, fui cometendo cada vez mais erros, tornando-me cada vez menos inocente, sorrindo cada vez menos.
A raiva tomou conta da felicidade, a melancolia da inocência e a vergonha da imaginação.
E é assim crescer. Por vezes, olhamo-nos ao espelho e ficamos enojados com o que vemos, com o que nos tornámos. Outras vezes, nem nos dignamos a olhar para o espelho.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Animal

O ciclo sem fim

A ironia da indiferença