Nunca

Nunca vou ser ela. A verdade, a simples e pura verdade é essa. Nunca vou ser ela. Nunca vou ter os olhos verdes, enormes e brilhantes dela. Nunca vou ter o cabelo enorme, preto, fácil, dela. Nunca vou ter o corpo dela. Nunca vou ser como ela. Nunca vou ser adorável, querida, amável.
Nunca fui ciumenta na vida. Mas tu despertaste um lado de mim que eu não conhecia. Transbordas-me de felicidade, de ternura. Fizeste-me feliz. A ideia era essa. Cumpriste a tua missão: colar os meus pedaços. E mesmo nos nossos momentos mais atribulados, eu sei que tomei a decisão certa. Nós foi a decisão certa.
Sou feliz. Mesmo quando me sinto triste, estou feliz. Porque tu, como meu anjo da guarda, vais estar a pensar em mim e a fazer-me feliz só com a memória do teu sorriso.
E assim, despertaste, com esta parte de mim, os ciúmes. Os ciúmes... Detesto-os. Detesto esta sensação ardente que me escorrega pela garganta abaixo, até ao meu peito. Detesto pensar que estás a falar com ela, algures. Detesto pensar que ainda pensas nela, mesmo quando estás comigo. Não tenho ciúmes das raparigas lindas que te querem. Não creio que vás cair nas garras dessas. Mas essa... Essa já te teve. Já te agarrou como eu o faço agora. Essa já te teve como eu te tenho. E, talvez esteja a projetar, mas acho muito mais fácil que voltes para ela. Até por causa do facto de ela ser, no mínimo, linda. E eu ser... Banal. Mesmo que não fosse pela beleza, acredito que ela tenha uma personalidade muito mais atraente e muito mais compatível com a tua.
Eu simplesmente... Não sei como lidar com isto. Não há nada que possa fazer. A não ser sorrir e fingir que não há nada a ameaçar a minha felicidade. Ela é uma ameaça. Tu és uma ameaça. Eu sou uma ameaça.
Eu, principalmente, sou uma ameaça. Porque quando tenho a noção de que já não estou a controlar a situação... Lá se sabe o que posso fazer.
E tu... Por favor, fica. Peço-te. Não te imploro, nunca o farei, mas peço-te. Fica. Por muito linda que ela seja. Por muito espetacular que ela seja.
Fica.

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