O Rapaz
Os olhos verdes dele comem-me a alma. Não consigo desviar os meus, mal consigo respirar. Vejo o sorriso dele e já sei no que ele está a pensar, já sei a maneira embevecida com que devo estar a olhar para ele.
Faço portanto um dos maiores esforços que já fiz e desvio o rosto, ignoro o ar de triunfo dele, afasto-me.
Ele acaba por me puxar para ele, por me perguntar porque fico nervosa à beira dele, por encostar a testa à minha e por sorrir com aquele sorriso de absoluta felicidade, como se tudo estivesse certo no mundo.
Eu resmungo algumas palavras carregadas de ódio, que ele desarma com uma facilidade incrível. Sinto-me irritada e digo algumas palavras que sei que o magoam. Mas só o magoam momentaneamente. Segundos depois, lá está ele a fazer-me aquele sorriso e a prender-me nos braços dele.
Ele diz que me vai levar à exaustão. Que há de ser o primeiro a fazer-me frente.Que havemos de aprender muito um com o outro, que o futuro só nos reserva coisas boas. O meu estômago revolve-se, sem imaginar, sem saber o que quer. Tudo o que ele diz é agridoce.
Vejo uma prisão em todos os gestos dele. Até porque ele pretende prender-me em cada um. Pretende calar-me, mudar-me, acalmar-me. Portanto absorve-me com aqueles olhos verdes, encarcera-me nos braços dele, beija-me sofregamente e lentamente.
Eu não cedo. Não o sei fazer. Resmungo e discuto, agrido e magoo. Mas ele apenas sorri, observando-me com uma expressão de adoração que quase me dá um ataque de pânico.
Ele diz que sabe. Que eu minto terrivelmente mal, que eu sinto o mesmo que ele. Mal sabe ele que tudo o que eu resmungo é verdade. Não inteiramente verdade mas verdade.
Mal sabe ele o que representa para mim aquele sítio que ele considera medíocre mas acolhedor. Mal ele sabe que da última vez que eu lá estive estava, aí sim, loucamente embevecida, infinitamente apaixonada. Mal ele sabe as palavras que murmurei, os suspiros que larguei, os sorrisos que provoquei. Mal ele sabe que, naquele sítio, eu já fui mais feliz do que ele alguma vez me vai poder fazer. Mal ele sabe que, naquele sítio, descansam todas as minhas memórias. Mal ele sabe que naquele sítio está enterrado o meu coração. Mal sabe ele que naquele sítio, esse sítio tão medíocre mas acolhedor está encarcerado tudo o que eu alguma vez dei, não lhe podendo dar a ele. Mal ele sabe que, todas as noites, sempre que ouço a voz dele por horas a fio ao telemóvel, tenho o peluche nos braços.
Portanto eu rio-me. Rio-me quando ele diz que eu não preciso de dizer nada, que ele sabe. E tenho pena daquele homem, daquele rapaz ingénuo que me faz, por vezes, questionar toda a minha personalidade, todas as minhas crenças. Tenho pena da ignorância dele, da cegueira, infelizmente já tão profunda, dele.
Mas depois sorrio. E por muito que eu não queira, segundos depois lá hei de estar eu a olhar para ele, os meus olhos carregados de ternura outra vez.
Faço portanto um dos maiores esforços que já fiz e desvio o rosto, ignoro o ar de triunfo dele, afasto-me.
Ele acaba por me puxar para ele, por me perguntar porque fico nervosa à beira dele, por encostar a testa à minha e por sorrir com aquele sorriso de absoluta felicidade, como se tudo estivesse certo no mundo.
Eu resmungo algumas palavras carregadas de ódio, que ele desarma com uma facilidade incrível. Sinto-me irritada e digo algumas palavras que sei que o magoam. Mas só o magoam momentaneamente. Segundos depois, lá está ele a fazer-me aquele sorriso e a prender-me nos braços dele.
Ele diz que me vai levar à exaustão. Que há de ser o primeiro a fazer-me frente.Que havemos de aprender muito um com o outro, que o futuro só nos reserva coisas boas. O meu estômago revolve-se, sem imaginar, sem saber o que quer. Tudo o que ele diz é agridoce.
Vejo uma prisão em todos os gestos dele. Até porque ele pretende prender-me em cada um. Pretende calar-me, mudar-me, acalmar-me. Portanto absorve-me com aqueles olhos verdes, encarcera-me nos braços dele, beija-me sofregamente e lentamente.
Eu não cedo. Não o sei fazer. Resmungo e discuto, agrido e magoo. Mas ele apenas sorri, observando-me com uma expressão de adoração que quase me dá um ataque de pânico.
Ele diz que sabe. Que eu minto terrivelmente mal, que eu sinto o mesmo que ele. Mal sabe ele que tudo o que eu resmungo é verdade. Não inteiramente verdade mas verdade.
Mal sabe ele o que representa para mim aquele sítio que ele considera medíocre mas acolhedor. Mal ele sabe que da última vez que eu lá estive estava, aí sim, loucamente embevecida, infinitamente apaixonada. Mal ele sabe as palavras que murmurei, os suspiros que larguei, os sorrisos que provoquei. Mal ele sabe que, naquele sítio, eu já fui mais feliz do que ele alguma vez me vai poder fazer. Mal ele sabe que, naquele sítio, descansam todas as minhas memórias. Mal ele sabe que naquele sítio está enterrado o meu coração. Mal sabe ele que naquele sítio, esse sítio tão medíocre mas acolhedor está encarcerado tudo o que eu alguma vez dei, não lhe podendo dar a ele. Mal ele sabe que, todas as noites, sempre que ouço a voz dele por horas a fio ao telemóvel, tenho o peluche nos braços.
Portanto eu rio-me. Rio-me quando ele diz que eu não preciso de dizer nada, que ele sabe. E tenho pena daquele homem, daquele rapaz ingénuo que me faz, por vezes, questionar toda a minha personalidade, todas as minhas crenças. Tenho pena da ignorância dele, da cegueira, infelizmente já tão profunda, dele.
Mas depois sorrio. E por muito que eu não queira, segundos depois lá hei de estar eu a olhar para ele, os meus olhos carregados de ternura outra vez.
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