Ultrapassar

Estava à espera que esta palavra batesse à minha porta. Penso que passei a vida toda à espera que essa palavra batesse à minha porta. E creio que ela nunca bateu. Eu simplesmente distraí-me com outras questões  que acabaram por constituir o esquecimento das anteriores. Nunca, mas nunca ultrapassei.
Estou há quatro dias razoável. Realmente razoável, íntegra, composta. E começo a pensar se realmente foi desta. Se acabou, se desisti. Adorava dizer que sim, mas é possível que esta seja só uma fase e que num destes dias eu volte a escrever mais um texto dilacerado. Pelo menos vou aproveitar enquanto ainda me sinto como se fosse eu.
Acho que finalmente aceitei o fim. Ridículo após todos estes meses. Acho que o facto de ter feito um ano mudou muita coisa. Quem me dera que na altura, há um ano atrás, quando eu era uma pessoa completamente diferente, eu tivesse sabido. Quem me dera que eu tivesse tido a hipótese de realmente decidir se ignorava os sinais de aviso e arriscava, ou se me afastava deliberadamente. Sei que teria escolhido a segunda opção. E talvez me arrependesse, porque não experimentaria tudo o que experimentei naqueles meses. Mas ao mesmo tempo, não saberia o que era sentir-me da maneira que me senti nos últimos quatro meses. Portanto, num ato de auto-preservação, de certeza que me afastaria. 
Tive a noção de que estava melhor algures quando soube da possibilidade de ser mútuo. Quando soube que havia possibilidade. Quando os ''NÃO!'' se espalharam pela minha mente. Porque a verdade é que não posso. Não posso perdoar, apesar de já o ter feito, não posso esquecer o histórico e não posso ignorar os sinais de aviso. Há demasiados agora, dez vezes mais do que no início. E só o facto de eu realmente reconhecer isto já significa que dei muitos passos em frente. 
Não é que não continue nostálgica, não é que não pense nesta questão, porque sinceramente eu não penso em mais nada. É só que o pior já passou, acho eu, espero eu. Só comprovarei isto quando estiver na presença da outra personagem envolvida.
Já passou demasiado tempo. E, sim, contando não foi assim tanto quanto isso, mas para mim parece que passaram 4 anos e não 4 meses. Principalmente porque cada minuto foi, e ainda é um pouco, um ferro quente no meu espírito.

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