Reconsiderações
A noite quente espalha o cheiro a iodo e verão pelo ar.
O céu está negro e baço, as árvores sussurram tristes canções. O vento grita silenciosamente. Os meus olhos estão fechados, expectantes e ansiosos. Espero pela resposta. Pela resposta que mudará o rumo de tudo, o meu rumo. Pela resposta que não é mais do que uma decisão minha. E o que eu decidir dirá muito sobre mim.
A verdade é que não mereço dizer-lhe. Transformei-o num monstro. Transformei-o à minha imagem. Ele tornou-se egoísta, perdeu a simplicidade que eu sempre admirei nele, perdeu a franqueza, perdeu a honestidade e a fidelidade. Ele transformou-se em mim. Aprendeu a fazer malabarismos com as emoções alheias, aprendeu o meu sorriso arrogante. Ficou com um olhar malicioso e pungente, destruidor de almas. ''Ficou com o diabo nos olhos''.
Portanto quem sou eu para lhe dizer? Quem sou eu para o puxar para este drama de novo? Ele não é a mesma pessoa, eu não sou a mesma pessoa. E a reação que eu espero provavelmente não será a que ele vai ter. Estou a ser egoísta. Só porque quero saber vou pô-lo nesta posição desconfortável. E será que eu quero saber? Não diz toda a gente que a ignorância é uma bênção? Talvez a resposta apenas me humilhe mais, talvez não ajude a reparar-me.
Ele seguiu em frente. E ainda bem, quem me dera conseguir fazer o mesmo. Quem sou eu para lhe tirar isso?
Por outro lado, mereço também esquecer isto. Mereço seguir em frente, participar numa nova história, fazer repetidas asneiras, ter um novo começo. Mereço aventura e diversão, felicidade e simplicidade. E eu sei, quase de certeza, que o que quer que eu vá dizer não me vai proporcionar isso.
E eu não perdoei. Tinha-me esquecido disso. Estava tão mergulhada em autocomiseração que me esqueci que ainda estou absolutamente furiosa. Outra razão pela qual esta conversa não devia acontecer.
Por outro lado, porque não? É ele e passou demasiado tempo para ser assim tão importante. E são só palavras. Além disso, duvido que vá ficar pior do que estou.
Abri os olhos, desiludida por ainda não ter resposta. O vento de verão criava um segredo à minha volta, rodopiando livremente entre as folhas secas.
Suspirei.
'' Sim ou não?''
O céu está negro e baço, as árvores sussurram tristes canções. O vento grita silenciosamente. Os meus olhos estão fechados, expectantes e ansiosos. Espero pela resposta. Pela resposta que mudará o rumo de tudo, o meu rumo. Pela resposta que não é mais do que uma decisão minha. E o que eu decidir dirá muito sobre mim.
A verdade é que não mereço dizer-lhe. Transformei-o num monstro. Transformei-o à minha imagem. Ele tornou-se egoísta, perdeu a simplicidade que eu sempre admirei nele, perdeu a franqueza, perdeu a honestidade e a fidelidade. Ele transformou-se em mim. Aprendeu a fazer malabarismos com as emoções alheias, aprendeu o meu sorriso arrogante. Ficou com um olhar malicioso e pungente, destruidor de almas. ''Ficou com o diabo nos olhos''.
Portanto quem sou eu para lhe dizer? Quem sou eu para o puxar para este drama de novo? Ele não é a mesma pessoa, eu não sou a mesma pessoa. E a reação que eu espero provavelmente não será a que ele vai ter. Estou a ser egoísta. Só porque quero saber vou pô-lo nesta posição desconfortável. E será que eu quero saber? Não diz toda a gente que a ignorância é uma bênção? Talvez a resposta apenas me humilhe mais, talvez não ajude a reparar-me.
Ele seguiu em frente. E ainda bem, quem me dera conseguir fazer o mesmo. Quem sou eu para lhe tirar isso?
Por outro lado, mereço também esquecer isto. Mereço seguir em frente, participar numa nova história, fazer repetidas asneiras, ter um novo começo. Mereço aventura e diversão, felicidade e simplicidade. E eu sei, quase de certeza, que o que quer que eu vá dizer não me vai proporcionar isso.
E eu não perdoei. Tinha-me esquecido disso. Estava tão mergulhada em autocomiseração que me esqueci que ainda estou absolutamente furiosa. Outra razão pela qual esta conversa não devia acontecer.
Por outro lado, porque não? É ele e passou demasiado tempo para ser assim tão importante. E são só palavras. Além disso, duvido que vá ficar pior do que estou.
Abri os olhos, desiludida por ainda não ter resposta. O vento de verão criava um segredo à minha volta, rodopiando livremente entre as folhas secas.
Suspirei.
'' Sim ou não?''
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