Cansaço
Tinha esperança que a parte má e maliciosa de mim emergisse.
Tenho saudades dos sorrisos de escárnio e das injeções de ironia. Tenho saudades da sensação de superioridade.
Estou farta de estar na mó de baixo, farta de conversas sérias e profundas. Estou farta deste assunto que me remói as entranhas há demasiado tempo.
Estava à espera de ficar furiosa. Não só furiosa, mas fula, cega de cólera. Estava à espera de ter a língua afiada e a visão toldada. Estava à espera de sentir o calor nas veias, a vontade de infligir dor. Estava à espera de me sentir tão indignada e exasperada que acabasse por voltar a ser eu e que esquecesse este assunto. E senti-me, de facto, indignada. Indignada o suficiente para criar um discurso enraivecido na minha mente, indignada o suficiente para deixar de o ver como um herói. Mas depois da indignação só veio o cansaço, mais uma vez.
O cansaço tem-se espalhado no meu corpo. Quer seja o cansaço que me tira a hipótese de retaliar contra mim mesma e contra os outros, quer o cansaço que me mantém acordada à noite, mergulhada nos meus pensamentos e de longe demasiado exausta para adormecer.
Estou sempre à espera. Seja do meu retorno, seja do dele. Estou sempre passivamente a aguardar que um deles volte e que me tire deste transe. E depois tenho pequenos momentos de lucidez. Pequenos momentos em que estou furiosa e indignada. Em que o meu âmago se revolve e em que os meus dentes se cerram. Mas depois volto às minhas ilusões.
É como se fosse uma sonâmbula, a passear nas ruínas da minha juventude, simplesmente à espera de algo ou de alguém que finalmente me consiga acordar.
Tenho saudades dos sorrisos de escárnio e das injeções de ironia. Tenho saudades da sensação de superioridade.
Estou farta de estar na mó de baixo, farta de conversas sérias e profundas. Estou farta deste assunto que me remói as entranhas há demasiado tempo.
Estava à espera de ficar furiosa. Não só furiosa, mas fula, cega de cólera. Estava à espera de ter a língua afiada e a visão toldada. Estava à espera de sentir o calor nas veias, a vontade de infligir dor. Estava à espera de me sentir tão indignada e exasperada que acabasse por voltar a ser eu e que esquecesse este assunto. E senti-me, de facto, indignada. Indignada o suficiente para criar um discurso enraivecido na minha mente, indignada o suficiente para deixar de o ver como um herói. Mas depois da indignação só veio o cansaço, mais uma vez.
O cansaço tem-se espalhado no meu corpo. Quer seja o cansaço que me tira a hipótese de retaliar contra mim mesma e contra os outros, quer o cansaço que me mantém acordada à noite, mergulhada nos meus pensamentos e de longe demasiado exausta para adormecer.
Estou sempre à espera. Seja do meu retorno, seja do dele. Estou sempre passivamente a aguardar que um deles volte e que me tire deste transe. E depois tenho pequenos momentos de lucidez. Pequenos momentos em que estou furiosa e indignada. Em que o meu âmago se revolve e em que os meus dentes se cerram. Mas depois volto às minhas ilusões.
É como se fosse uma sonâmbula, a passear nas ruínas da minha juventude, simplesmente à espera de algo ou de alguém que finalmente me consiga acordar.
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