Presentes

Querido Pai Natal,
A tempestade tolda a festa, a alegria, a felicidade, o calor da lareira, os chapéus vermelhos, as músicas antiquíssimas de Natal. Lá fora a chuva já parou, mas o vento e o céu negro ameaçam explodir.
Pergunto-me se é uma forma de castigar o mundo e os seres humanos por serem como são, por todos os males feitos. Pergunto-me se não o merecemos.
Mas o ''jingle bells'' ressoa pela minha casa. E eu, de peito leve e sorriso doce, sinto-me uma menina outra vez, a contar as horas para a chegada da meia noite. Neste momento falta 3 horas e meia. Anseio por essa hora mágica em que todos os meus desejos se tornarão realidade só porque um velho de barbas brancas virá trazer os meus presentes.
Gostaria de conseguir escrever maravilhosos textos sobre esta época. Ou então de escrever maravilhosos textos a criticar esta época. Mas creio que já toda a gente o fez, milhões e milhões de vezes. Todos sabemos o que significa, o que é, porque o é. Portanto, chega. Quero apenas, meu caro velho, enunciar todos os presentes que me poderias dar. Tentarei não ser materialista se bem que, conhecendo-me, será difícil.
Poderias começar por dar-me eterna paz de espírito, para que nada nem ninguém me conseguisse abalar, para que houvesse dentro de mim felicidade infinda. De seguida, perdão, capacidade para perdoar outros e para perdoar as circunstâncias.  Menos egocentrismo, ou antes mais altruísmo, para que não me mergulhasse em festivais de autocomiseração, para que conseguisse ajudar quem precisasse. Estabilidade. Amor. Inovação, porque estou farta da mesma rotina quadrada. Quero novas pessoas, novas caras, novas atitudes, novos sítios. Diversão, porque a minha vida, de alguma maneira, tornou-se numa espiral de obrigações. Felicidade para aqueles que estão tão longe de mim e para os que estão perto. Coragem para me afirmar, para fazer o que quero, dizer o que quero. Um novo coração, não amargurado, novo. Juventude eterna.
Sei que são pedidos difíceis, e que muitos deles parecem mais feitos para o Ano Novo do que para o Natal. Infelizmente, não acredito que por um novo ano começar a nossa vida possa mudar. Mas acredito que tu consigas fazer magia e que consigas tornar a minha vida num paraíso. Não me interpretes mal, eu sou feliz. Muito feliz, de vez em quando. Mas eu ser feliz não significa que a minha vida seja feliz. Portanto peço-te uma vida nova, uma regenerada, que se refez, que colou os pedaços rasgados. Uma vida digna de mim.
A meia noite está a chegar. Por favor, não te esqueças dos meus presentes.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Animal

O ciclo sem fim

A ironia da indiferença