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O tempo ...

O tempo passa. Cada vez mais devagar. As horas custam-me cada vez mais. Cada segundo é um ferro ardente no meu peito. Nunca pensei que fosse sentir-me assim. As saudades ardem. Ardem mesmo. E isso nunca me aconteceu. Já mergulhei em poços de saudades, mas elas deixavam-me melancólica, não queimada viva. Nunca fui assim tão profundamente magoada por um sentimento. Nunca. Começo a pensar que te imaginei. Que és este sonho perfeito que eu tive e que finalmente desapareceu. É mesmo assim que me sinto. Sozinha, queimada, desfeita, como se algo me tivesse sido completamente retirado. Tenho este sentimento de finalidade. Detesto-o. Não o quero, quero-te a ti e tu estás a 10 mil quilómetros de mim. Sinto-me perdida. Estás tão longe. É como se uma parte de mim estivesse também longe de mim. Imensamente longe de mim, separada do meu corpo, da minha alma. Para que conste, não estou habituada a tanta ... Nem sei como lhe chamar. Só sei que vou contar todos os segundos até estar de volta aos ...

Veneno

Mais lenha para a enorme fogueira que é a minha raiva.  O tempo passa e só constrói mais raiva. A raiva começa a magoar-me, como veneno a entrar nas veias. É inútil. O meu estômago anda às voltas, os meus dentes estão cerrados, o ódio transborda nos meus olhos. No entanto, nada vai ser dito da minha parte. Vou simplesmente deixar a cólera consumir-me. E não te direi nada. Quero, com todas as minhas forças, discutir. Comigo, contigo, com todos. Quero procurar sarilhos. Quero andar até ser de manhã. Quero desaparecer por uns tempos. E talvez assim já não me sinta tão dilacerada. Talvez assim não deteste tanto o triunfo nos olhos dele, ou a tua ingenuidade. Talvez assim eu consiga respirar e perder-me em memórias até estar curada. Talvez assim eu já não tenha tanta vontade de te magoar. Tenho tantas saudades tuas... Como não consegues ver isso? Porquê que não consegues ver isso? Porquê que eu, que tenho tanta absoluta certeza de estar certa, tenho que ceder e pedir descul...

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Sou nada. Não sou inteligente, bonita ou sequer interessante. Sou apenas mais uma miúda mimada com a mania. Não sei fazer nada. Não sei jogar, não sei cantar, não sei escrever, não sei ser-me. Não sei. A minha vida resume-se a muitos ''não seis''. Resume-se a muita estupidez, a muita arrogância, a muita falta. Não sou boa a amar. Passaram 18 semanas e eu ainda não o sei fazer. Ainda não sei o que é ser ridiculamente feliz. Ainda estou tão presa ao passado... Quero dar-me um soco. Seria bem merecido. Mais que merecido. Não consigo fazê-lo feliz, não consigo ser feliz, não consigo entender e simplesmente não consigo não querer desistir de tudo isto. E porquê? Porque de cada vez que alguém diz um nome, eu deixo de ser eu. Não sirvo para nada! Estou farta de ser assim, inútil, ridícula! Farta, meu Deus, farta. Farta de querer dizer Adeus, e de não o conseguir. Farta de o querer, de ter saudades dele, e no entanto, nunca é suficiente! Nunca é amor! Porquê?! Porquê?.....

Quantas vezes ...

Quantas vezes mais vou eu escrever sobre ti? Para mim já chega. Já chega de continuar a ser a menina ingénua que caiu nas tuas garras. Já chega de tremer de cada vez que te vejo. Já chega de sequer olhar para ti. Tal como já tinha dito, já consigo respirar sem ti. Já consigo não me afundar em dor e autocomiseração. Consigo olhar para trás e dizer que foste o meu primeiro grande amor. E depois voltar a olhar para a frente. O olhar para a frente já não me custa. Pelo menos não tanto como custava antes. E, no entanto, por vezes volto a estar aos teus pés. Sinto-me como se literalmente estivesse a teus pés e estivesse a olhar para cima. E tu, de olhar misericordioso (como se tivesses direito a tal), sorrias-me tristemente. Mas nunca me estendias a mão para eu me levantar. Não. Mantinhas-me sempre no chão, a teus pés, porque era aí que eu alegadamente pertencia. Por vezes volto aí. Tal como volto às alturas em que tinha os meus dedos entrelaçados no teu cabelo, a puxar-te mais para mim. ...

Súbita humildade

Tive uma epifania. Nela, eu era uma formiga no vasto chão, uma pedra no caminho.Nela, eu era nada e os que eu considero nada, eram tudo. Nela, eu era simples, fraca, ignorante. Era um pequeno ponto no universo. Nela, todos os meus sonhos tinham caído por terra, e tudo aquilo a que eu era boa tinha-se perdido. Nela apenas restavam eu e as pessoas que me rebaixam. E elas teriam ainda mais razões para o fazerem. Nela eu percebi que não sou mais que ninguém e igual a todos os outros. Sou apenas mais uma ovelha do rebanho. E não importa os meus sonhos, a minha voz, as minhas crenças. A monotonia deitar-me-à abaixo.

Visão do Passado

Os meus passos ecoam na escuridão. A única luz vem do reles candeeiro de rua. Já na altura eu sabia que cada passo que dava naquela direção era suicídio. No entanto continuo a reviver aqueles breves momentos que passava mergulhada em antecipação, em ansiedade. Aqueles momentos em que o meu coração parecia querer sair do meu peito, em que os meus joelhos me falhavam, em que a minha voz era baixa e ofegante. Aqueles breves momentos antes... É estranho, agora, que há pouco mais de um ano, eu era essa rapariga. A que vagueava no escuro à procura do que nunca teria. A que tinha esperança no melhor. Quem dera que ela me conhecesse agora. Ficaria orgulhosa? Desiludida? Mudaria todas as suas decisões futuras? Só passou um ano, e eu estou velha enquanto na altura era uma jovem cheia de vitalidade. Passou um ano e eu perdi-me por motivos desconhecidos. Talvez me tenha perdido exatamente por esses passos vãos. Ridículo em como eu pensava que aqueles passos iam mudar a minha vida. Iam mudar t...

Lamento

Lamento. Lamento pelo que sou. Lamento por ser uma desilusão. Lamento por ser apenas mais uma faca no teu peito. Lamento não te conseguir ajudar. Lamento não te fazer feliz como queria que me fizesses a mim. Lamento, Amor. Talvez nunca consiga voltar a ser a jovem irrequieta por quem te apaixonaste. Talvez os meus olhos não voltem a brilhar com tanta vontade, talvez não te volte a querer com tanto fervor, talvez já não seja e não volte a sê-la. A ser aquela rapariga que tanto eu como tu amávamos. Lamento, meu Amor. Lamento não servir para nada, lamento pela minha personalidade, por vezes desprezível, lamento por não me saber expressar, lamento por não ser feliz. Acredita que todo o meu ser te quer na minha vida. Para mim, por mim, comigo. Lamento por não ser ela. Por não ser tão bonita, tão compatível contigo. Lamento por não as ser a todas. Lamento por não te entender, por não te querer entender. Por não te compreender. És um segredo para mim, Amor. Este segredo que eu ainda não d...