Vulnerabilidades
Todos temos um escudo. Uma fortaleza, aliás.
E, ao longo dos anos, ao longo da vida, ao longo de nós próprios, essa fortaleza, essas paredes que nos mantêm de pé, começam a ruir. A velocidade com que elas ruem depende inteiramente de nós. Das situações em que nos metemos e da capacidade que temos para as ultrapassar.
Há pessoas em que esta fortaleza já foi queimada, assaltada e até bombardeada e, no entanto, mantém-se nas suas ruínas.
Há pessoas em que esta fortaleza nunca teve incidente algum, e continua perfeitamente intacta.
Quanto a mim, creio que a minha me foi roubada. Num minuto estava lá, em toda a sua imponência, alta como um arranha-céus, espessa e forte, pronta para me defender, e no outro não estava e eu fiquei completamente exposta. Razões para tal ter acontecido? Excesso de tempo para pensar. Nunca ninguém devia ficar a sós com os seus pensamentos. É uma situação mais perigosa do que elucidante. E, além disso, ninguém devia mergulhar mais fundo do que consegue nadar. Tão simples quanto isso.
Não sei se é comum, uma pessoa atravessar uma curta vida de racionalidade e uma leve insensibilidade, e de repente dá consigo vulnerável a qualquer ataque, que parece uma faca no peito.
Bem, se for, o futuro está a chegar. E com ele eu ir-me-ei esquecer de muitos destes ferimentos cortantes, e terei menos tempo para pensar. Esquecimento e falta de tempo são os melhores amigos dos desgostos, sejam eles quais forem, grandes ou pequenos.
É isso que espero que me salve: o futuro. Apesar de ter a certeza que será uma jornada difícil, e que também me magoará mais do que me fará bem, ao menos dar-me-á aquilo de que eu seriamente preciso: falta de tempo e mais em que pensar.
Claro que, nesta minha falta de defesas, não posso ter uma ação meramente passiva, tenho de me tentar proteger também. E como o fazer? Voltar à superfície, o que quer que isso signifique.
Não estou habituada a estar magoada. Chateada? Definitivamente, aliás, adoro a raiva, adoro a fúria, porque me fazem torcer-me e distorcer-me até me conseguir convencer de algo. Entediada? Com certeza. Agora, magoada?...
Não sei como curar estes cortezinhos no meu peito. Porque tive poucos, e os que tive nunca soube processar. Limito-me a enterrá-los nos cantos da minha mente. Talvez também tenha de o fazer a estes.
De qualquer das maneiras, a vida irá avançar, com o meu consentimento ou não. E imagino que tudo isto não passarão de superfluosidades muito em breve. Felizmente.
A minha fortaleza talvez volte, ou talvez eu tenha de construir uma nova. De uma maneira ou de outra, tudo se irá resolver. Porque estou farta de ficar melindrada com cada pequena lomba na estrada, com cada buraco que vejo, com cada falta e com cada excesso. Que tudo avance e deixe de importar. Ou que eu me deixe de importar.
E, ao longo dos anos, ao longo da vida, ao longo de nós próprios, essa fortaleza, essas paredes que nos mantêm de pé, começam a ruir. A velocidade com que elas ruem depende inteiramente de nós. Das situações em que nos metemos e da capacidade que temos para as ultrapassar.
Há pessoas em que esta fortaleza já foi queimada, assaltada e até bombardeada e, no entanto, mantém-se nas suas ruínas.
Há pessoas em que esta fortaleza nunca teve incidente algum, e continua perfeitamente intacta.
Quanto a mim, creio que a minha me foi roubada. Num minuto estava lá, em toda a sua imponência, alta como um arranha-céus, espessa e forte, pronta para me defender, e no outro não estava e eu fiquei completamente exposta. Razões para tal ter acontecido? Excesso de tempo para pensar. Nunca ninguém devia ficar a sós com os seus pensamentos. É uma situação mais perigosa do que elucidante. E, além disso, ninguém devia mergulhar mais fundo do que consegue nadar. Tão simples quanto isso.
Não sei se é comum, uma pessoa atravessar uma curta vida de racionalidade e uma leve insensibilidade, e de repente dá consigo vulnerável a qualquer ataque, que parece uma faca no peito.
Bem, se for, o futuro está a chegar. E com ele eu ir-me-ei esquecer de muitos destes ferimentos cortantes, e terei menos tempo para pensar. Esquecimento e falta de tempo são os melhores amigos dos desgostos, sejam eles quais forem, grandes ou pequenos.
É isso que espero que me salve: o futuro. Apesar de ter a certeza que será uma jornada difícil, e que também me magoará mais do que me fará bem, ao menos dar-me-á aquilo de que eu seriamente preciso: falta de tempo e mais em que pensar.
Claro que, nesta minha falta de defesas, não posso ter uma ação meramente passiva, tenho de me tentar proteger também. E como o fazer? Voltar à superfície, o que quer que isso signifique.
Não estou habituada a estar magoada. Chateada? Definitivamente, aliás, adoro a raiva, adoro a fúria, porque me fazem torcer-me e distorcer-me até me conseguir convencer de algo. Entediada? Com certeza. Agora, magoada?...
Não sei como curar estes cortezinhos no meu peito. Porque tive poucos, e os que tive nunca soube processar. Limito-me a enterrá-los nos cantos da minha mente. Talvez também tenha de o fazer a estes.
De qualquer das maneiras, a vida irá avançar, com o meu consentimento ou não. E imagino que tudo isto não passarão de superfluosidades muito em breve. Felizmente.
A minha fortaleza talvez volte, ou talvez eu tenha de construir uma nova. De uma maneira ou de outra, tudo se irá resolver. Porque estou farta de ficar melindrada com cada pequena lomba na estrada, com cada buraco que vejo, com cada falta e com cada excesso. Que tudo avance e deixe de importar. Ou que eu me deixe de importar.
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