Eu e Tu
Eu e Tu.
Nunca Tu e Eu. Nunca Nós. Eu e Tu.
Tu és o meu refúgio.
Após um longo dia posso sempre voltar e mergulhar nos teus braços cansados, que estão sempre abertos mesmo quando preferiam estar fechados. E, aí, posso finalmente dormir um sono pesado, confortável e confiante, de alguém que finalmente encontrou o seu lugar.
Eu e Tu vivemos a vida com rapidez mas vivemo-nos com lentidão e calma, como se entrássemos no mar e quiséssemos estar sempre à deriva.
Eu e Tu vemo-nos de olhos fechados. Só de olhos fechados sabemos quem o outro é, como é e porque o é. E quando abrimos os olhos, somos só nós, sem máscaras e sem artifícios, só Eu e Tu. Os meus olhos pousam nos doces lagos verdes que são os teus olhos e fitam-te com a mesma expressão de seriedade e perdição. E neste mundo não há mais nada nem mais ninguém. Todas as guerras são irrelevantes, todos os sons deixam de existir. Só existo Eu e só existes Tu.
Tudo é ou calma absoluta ou um furacão infinito. Ou estou absolutamente plácida ou impossivelmente revoltada. Não tenho meio termo. Não temos meio termo. Só temos silêncio. O silêncio que se dá após acabares de falar, apesar de saberes que tudo o que dizes é em vão ou é desnecessário. Eu e Tu temos esse silêncio. O silêncio em que falamos mais do que quando falamos. O silêncio que me atravessa por inteiro, por dentro e por fora. E tudo o que somos são dois miúdos quietos, a fitarem-se um ao outro, enquanto a vida passa. A vida passa, o tempo passa, Eu passo, Tu passas.
Já não somos as pessoas que éramos quando tudo estava parado. E, no entanto, para ti, Eu continuo a ser Eu, simplesmente Eu, sem mais do que Eu. E, para mim, Tu serás sempre Tu, sem mais do que Tu. Por muito que mudemos.
Somos um pano remendado, Eu e Tu. Um pano limpo, mas remendado pelas diversas vezes em que Eu não fui Eu, ou que Tu foste Tu demasiado longe. Nunca conseguiste realmente chegar a mim. Não sei se é possível chegar-se a mim, e se não o é, Tu ganhas o prémio de quem chegou mais perto.
Não acredito no que tu queres que acredite. Aliás, não concordo com nada do que te sai da boca. Tudo o que te sai da boca é tão corrosivo, crítico e amargo como o que sai da minha. Eu e Tu somos iguais. Mas pensamos de maneira completamente diferente.
Eu sou a Razão, Tu o Coração. Eu sou a Ambição, Tu a Ganância. Eu sou a Terra, Tu és Marte. Eu sou mercadoria danificada e Tu és demasiado otimista.
Não sei nem nunca soube amar, até porque acho sinceramente e com toda a minha Razão que tal coisa não existe. Por isso é que Eu e Tu somos só Eu e Tu. E nunca Nós. Não sei, nem sei se quero saber ser Nós.
Por isso é que Eu quero limitar-me a fitar-te, a mergulhar nos teus suaves braços, a sentir as tuas mãos no meu cabelo, no meu rosto e nas minhas mãos. Quero limitar-me a ver-te de olhos fechados, a viver-te com calma e lentidão e a ser cega, surda e inexistente.
Não posso mais do que isso. Não tenho capacidade mental ou física para mais do que isso.
E as nossas vidas continuarão a correr, separadamente, sem ligação. Mas sabe que eu quererei sempre ter uma pausa, parar por um momento.
E voltar, de braços abertos, para ti. Por apenas uns segundos lentos. Após toda a diversão, toda a ocupação, todas as alegrias ou tristezas, todas as fronteiras que eu atravessar.
Eu vou sempre querer voltar para ti. E para os teus braços. Mesmo quando a minha intuição me diz que isso é errado, mesmo quando o meu cérebro me diz que isso já não é viável, mesmo quando o meu peito me diz que já não quer mais, que já não te quer mais. Eu volto sempre para ti. E Tu para mim, como manda a bela e romântica codependência.
Eu e Tu. Um romance racional, calmo e sem meio termo. Um romance sem romance. Um romance sem rótulos e convenções sociais. Um não romance, baseado apenas em mim e em ti. Eu e Tu. Apenas isso e nada mais.
Nunca Tu e Eu. Nunca Nós. Eu e Tu.
Tu és o meu refúgio.
Após um longo dia posso sempre voltar e mergulhar nos teus braços cansados, que estão sempre abertos mesmo quando preferiam estar fechados. E, aí, posso finalmente dormir um sono pesado, confortável e confiante, de alguém que finalmente encontrou o seu lugar.
Eu e Tu vivemos a vida com rapidez mas vivemo-nos com lentidão e calma, como se entrássemos no mar e quiséssemos estar sempre à deriva.
Eu e Tu vemo-nos de olhos fechados. Só de olhos fechados sabemos quem o outro é, como é e porque o é. E quando abrimos os olhos, somos só nós, sem máscaras e sem artifícios, só Eu e Tu. Os meus olhos pousam nos doces lagos verdes que são os teus olhos e fitam-te com a mesma expressão de seriedade e perdição. E neste mundo não há mais nada nem mais ninguém. Todas as guerras são irrelevantes, todos os sons deixam de existir. Só existo Eu e só existes Tu.
Tudo é ou calma absoluta ou um furacão infinito. Ou estou absolutamente plácida ou impossivelmente revoltada. Não tenho meio termo. Não temos meio termo. Só temos silêncio. O silêncio que se dá após acabares de falar, apesar de saberes que tudo o que dizes é em vão ou é desnecessário. Eu e Tu temos esse silêncio. O silêncio em que falamos mais do que quando falamos. O silêncio que me atravessa por inteiro, por dentro e por fora. E tudo o que somos são dois miúdos quietos, a fitarem-se um ao outro, enquanto a vida passa. A vida passa, o tempo passa, Eu passo, Tu passas.
Já não somos as pessoas que éramos quando tudo estava parado. E, no entanto, para ti, Eu continuo a ser Eu, simplesmente Eu, sem mais do que Eu. E, para mim, Tu serás sempre Tu, sem mais do que Tu. Por muito que mudemos.
Somos um pano remendado, Eu e Tu. Um pano limpo, mas remendado pelas diversas vezes em que Eu não fui Eu, ou que Tu foste Tu demasiado longe. Nunca conseguiste realmente chegar a mim. Não sei se é possível chegar-se a mim, e se não o é, Tu ganhas o prémio de quem chegou mais perto.
Não acredito no que tu queres que acredite. Aliás, não concordo com nada do que te sai da boca. Tudo o que te sai da boca é tão corrosivo, crítico e amargo como o que sai da minha. Eu e Tu somos iguais. Mas pensamos de maneira completamente diferente.
Eu sou a Razão, Tu o Coração. Eu sou a Ambição, Tu a Ganância. Eu sou a Terra, Tu és Marte. Eu sou mercadoria danificada e Tu és demasiado otimista.
Não sei nem nunca soube amar, até porque acho sinceramente e com toda a minha Razão que tal coisa não existe. Por isso é que Eu e Tu somos só Eu e Tu. E nunca Nós. Não sei, nem sei se quero saber ser Nós.
Por isso é que Eu quero limitar-me a fitar-te, a mergulhar nos teus suaves braços, a sentir as tuas mãos no meu cabelo, no meu rosto e nas minhas mãos. Quero limitar-me a ver-te de olhos fechados, a viver-te com calma e lentidão e a ser cega, surda e inexistente.
Não posso mais do que isso. Não tenho capacidade mental ou física para mais do que isso.
E as nossas vidas continuarão a correr, separadamente, sem ligação. Mas sabe que eu quererei sempre ter uma pausa, parar por um momento.
E voltar, de braços abertos, para ti. Por apenas uns segundos lentos. Após toda a diversão, toda a ocupação, todas as alegrias ou tristezas, todas as fronteiras que eu atravessar.
Eu vou sempre querer voltar para ti. E para os teus braços. Mesmo quando a minha intuição me diz que isso é errado, mesmo quando o meu cérebro me diz que isso já não é viável, mesmo quando o meu peito me diz que já não quer mais, que já não te quer mais. Eu volto sempre para ti. E Tu para mim, como manda a bela e romântica codependência.
Eu e Tu. Um romance racional, calmo e sem meio termo. Um romance sem romance. Um romance sem rótulos e convenções sociais. Um não romance, baseado apenas em mim e em ti. Eu e Tu. Apenas isso e nada mais.
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