Hipocondria
Já não sei o que se passa há muito tempo.Já não sei o que se passa comigo, com o mundo, com esta vida há muito tempo.
Agarrava-me tanto ao controlo de tudo e de todos, e dou por mim já sem controlar nada. Não controlo nada, nem as noites que durmo, nem as palavras que escrevo, nem o corpo em que vivo.
Não controlo os textos que estudo, a mão que agarro, ou os lábios que beijo.
Perdi o controlo do hoje e do amanhã. Vou apenas com o vento, para onde quer que este me leve, seja para longe ou para perto.
Recuso-me a sofrer às mãos da minha cabeça, mas sofro às mãos do corpo. Não faço ideia se o que escrevo tem nexo, se a conexão que tenho continua limpa e pura, se continuo eu. Já não me lembro de ter tempo para isso, já não sei o que é poder debruçar-me sobre pensamentos mundanos.
A vida passa-me. Não sou eu que passo por ela. Ela simplesmente avança, e eu estou tão ocupada que me esqueço que ela passa. Entre os olhos cor de mel, o cabelo preto e o sorriso doce, esqueço-me que a vida passa. Entre os milhares de papéis em que me enterro, esqueço-me que a vida passa. Entre as dores que atravessam o meu corpo e os pesadelos que assolam as minhas noites, esqueço-me que a vida passa.
Esqueço-me que faço parte dela, esqueço-me que sou. Sou os livros nas minhas estantes, sou as palavras marcadas nesta página, sou o reflexo que vejo no espelho, não o desleixado e cheio de olheiras, sem raízes ou unhas pintadas, com a maquilhagem borratada e vestida com a primeira coisa que encontrei, mas a arranjada, com ar de quem sabe sempre o que está a fazer.
Estou farta de só olhar para mim à procura de sinais. Estou farta de viver com medo de haver sinais. E estou principalmente farta de me ver fora de mim própria, despida do meu ego, da minha confiança e da minha causticidade.
É possível que esteja só exausta e mergulhada em nervosismo, é também possível que a minha personalidade esteja a definhar por falta de uso, falta de tempo, falta de um recipiente digno dela.
Não há mais nada a dizer sem perder o nexo, a coerência e a pouca dignidade que me resta. Portanto, calo-me. E seja o que Deus quiser.
Agarrava-me tanto ao controlo de tudo e de todos, e dou por mim já sem controlar nada. Não controlo nada, nem as noites que durmo, nem as palavras que escrevo, nem o corpo em que vivo.
Não controlo os textos que estudo, a mão que agarro, ou os lábios que beijo.
Perdi o controlo do hoje e do amanhã. Vou apenas com o vento, para onde quer que este me leve, seja para longe ou para perto.
Recuso-me a sofrer às mãos da minha cabeça, mas sofro às mãos do corpo. Não faço ideia se o que escrevo tem nexo, se a conexão que tenho continua limpa e pura, se continuo eu. Já não me lembro de ter tempo para isso, já não sei o que é poder debruçar-me sobre pensamentos mundanos.
A vida passa-me. Não sou eu que passo por ela. Ela simplesmente avança, e eu estou tão ocupada que me esqueço que ela passa. Entre os olhos cor de mel, o cabelo preto e o sorriso doce, esqueço-me que a vida passa. Entre os milhares de papéis em que me enterro, esqueço-me que a vida passa. Entre as dores que atravessam o meu corpo e os pesadelos que assolam as minhas noites, esqueço-me que a vida passa.
Esqueço-me que faço parte dela, esqueço-me que sou. Sou os livros nas minhas estantes, sou as palavras marcadas nesta página, sou o reflexo que vejo no espelho, não o desleixado e cheio de olheiras, sem raízes ou unhas pintadas, com a maquilhagem borratada e vestida com a primeira coisa que encontrei, mas a arranjada, com ar de quem sabe sempre o que está a fazer.
Estou farta de só olhar para mim à procura de sinais. Estou farta de viver com medo de haver sinais. E estou principalmente farta de me ver fora de mim própria, despida do meu ego, da minha confiança e da minha causticidade.
É possível que esteja só exausta e mergulhada em nervosismo, é também possível que a minha personalidade esteja a definhar por falta de uso, falta de tempo, falta de um recipiente digno dela.
Não há mais nada a dizer sem perder o nexo, a coerência e a pouca dignidade que me resta. Portanto, calo-me. E seja o que Deus quiser.
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