Confissão
Lutar contra connosco próprios tem de ser das piores batalhas que o ser humano tem de enfrentar ao longo da vida.
Ter de acordar todos os dias, levantar-se e cumprir com todas as obrigações, quando apenas se quer deixar deitado na cama para o resto da vida, tem de ser do mais doloroso que há.
Levantarmo-nos de manhã para nos dirigirmos para um sítio que nos deixa em agonia, e que deu absolutamente cabo da nossa estabilidade mental tem de ser do pior que existe.
No entanto, fazemo-lo. Levantamo-nos, vamos, cumprimos, vivemos mais um dia, apesar de dispensarmos bem aquele dia que vivemos.
Meus caros leitores, defrontei-me recentemente de caras com algo que eu nunca pensei que a minha mente radical, afiada e amarga tivesse de se defrontar: doenças do foro psicológico.
Sempre achei que já estava demasiado estragada da cabeça para a minha cabeça ficar literalmente e completamente estragada por danos que não serão fáceis, ou talvez possíveis de reparar.
E não sei o que o despoletou. Se foi uma vida de controlo de emoções ao ponto de elas quase deixarem de existir, se foi o choque e a desilusão de uma realidade nova, ou simplesmente a mudança completa da minha personalidade.
Dou por mim a lutar comigo própria todos os dias. E dou por mim a desejar que essa luta termine todos os dias. Meus caros leitores, a vida não é como esperamos. Principalmente se esperarmos que ela obedeça a cada ordem que lhe damos. A vida não nos vai deixar decidir como as coisas acontecem, e infelizmente, de repente acordamos e somos pessoas irreconhecíveis e com vidas completamente diferentes das que sonhámos.
Eu sempre disse que a minha vida seguiria em linha reta. Não haveria percalços pelo caminho, nada de tragédias, nada de grandes desilusões, nada de dor e sofrimento. Apenas uma linha reta, com momentos de diversão, outros de seriedade, e talvez alguns de tristeza, mas, conhecendo a pessoa que eu era, a tristeza nunca seria muito profunda.
No entanto, dei por mim uma dessas pessoas que não reconheço e que está numa vida que não é a sua.
E a questão é: não tenho reais razões para isso. Daí saber que esta minha guerra com a minha pessoa se deve às nuvens que se instalaram na minha cabeça e que se recusam a sair.
Apaixonei-me enormemente, caros leitores, e creio que todos saberão isso pelos textos tão pouco de mim que têm preenchido este blogue. Continuo a viver a minha vida normal, vou para a escola, venho para casa, faço a minha vida em casa como sempre fiz, estudando, menos do que devia, por sinal, lendo, escrevendo, entre outros. Mantenho os amigos que sempre tive, apesar de os ver com períodos mais intervalados. Conheci toneladas de novas pessoas, algumas com quem me dou bem e que ocupam os meus dias e ajudam a fazer da minha mente um sítio menos escuro.
Entrei no sítio que tinha todos os meus sonhos. Tinha feito uma aposta all-in, toda a minha vida seria ali, todas as minhas expectativas seriam ali e ali estava todo o meu futuro. E não sei se estava errada ou se simplesmente esperei demais de um mero edifício com pessoas.
O que me tem custado mais são as dúvidas. O acordar e não saber o que vou sentir hoje, como vou lidar com isso e se vou sobreviver a mais um dia. Apesar de esta não ser uma doença física, sinto-a matar-me devagarinho, enquanto entra na minha pele e se instala.
Outras dúvidas também me assombram: quem raio é esta pessoa em que me transformei? como lida esta pessoa com a vida? será que voltarei a ser quem era? o que me vai curar? alguma vez vou estar curada? estou no sítio certo? estou na vida certa? vou conseguir cumprir as minhas obrigações? vou conseguir viver e ser excelente apesar disto? serei infeliz para sempre?
Estou feliz hoje por vos dizer que creio estar a vencer esta luta. Por agora. Não acho que alguma vez se ganha totalmente, mas sei que se perde totalmente. Tenho ganho esta luta dizendo a mim própria para tirar prazer das coisas pequenas, para fazer mais esforço, para não chorar mesmo quando me apetece, para tomar os comprimidos, para arranjar ajuda e para sair da minha zona de conforto.
O problema com esta situação, é que ela volta sempre. E quando se pensa que ela desapareceu, ali está ela de novo, a fazer com que desejes dormir até tudo melhorar.
Tenho uma boa vida. Difícil, neste momento, mas boa. Qualquer pessoa na minha situação seria feliz. Tenho pessoas que me amam, saúde, não estou sozinha, não tenho nenhum problema físico ou existente, sendo que supostamente estou no sítio certo a fazer a coisa certa.
Tenho só esta faca espetada num certo sítio do meu coração onde eu não consigo chegar e que me garante que vou fracassar na vida. E vou, se continuar a acreditar nela e a não me esforçar, por melhorar, por ser quem era, por estudar e simplesmente fazer o que me compete.
Dei por mim a querer demasiado a vida das outras pessoas. E dei por mim a decidir que isso não era saudável. Portanto, continuo-o a acordar, a ir, a esperar, e a esforçar-me. Nos últimos dias ganhei alguma esperança de novo. Consegui olhar para os livros de novo, consegui sentir-me um pouco incluída e um pouco entusiasmada. Já voltei a respirar mais livremente.
Não quer dizer que não haja este peso enorme sentado no meu coração, apenas quer dizer que já sinto que consigo ir vivendo com ele. Talvez passe. Talvez não. Talvez seja só uma fase. Talvez seja realmente assim e eu é que vim encantada com flores e contos de fada.
Bem, qualquer que seja a resposta, sinto finalmente que estou a chegar a ela, e não a afastar-me.
Ter de acordar todos os dias, levantar-se e cumprir com todas as obrigações, quando apenas se quer deixar deitado na cama para o resto da vida, tem de ser do mais doloroso que há.
Levantarmo-nos de manhã para nos dirigirmos para um sítio que nos deixa em agonia, e que deu absolutamente cabo da nossa estabilidade mental tem de ser do pior que existe.
No entanto, fazemo-lo. Levantamo-nos, vamos, cumprimos, vivemos mais um dia, apesar de dispensarmos bem aquele dia que vivemos.
Meus caros leitores, defrontei-me recentemente de caras com algo que eu nunca pensei que a minha mente radical, afiada e amarga tivesse de se defrontar: doenças do foro psicológico.
Sempre achei que já estava demasiado estragada da cabeça para a minha cabeça ficar literalmente e completamente estragada por danos que não serão fáceis, ou talvez possíveis de reparar.
E não sei o que o despoletou. Se foi uma vida de controlo de emoções ao ponto de elas quase deixarem de existir, se foi o choque e a desilusão de uma realidade nova, ou simplesmente a mudança completa da minha personalidade.
Dou por mim a lutar comigo própria todos os dias. E dou por mim a desejar que essa luta termine todos os dias. Meus caros leitores, a vida não é como esperamos. Principalmente se esperarmos que ela obedeça a cada ordem que lhe damos. A vida não nos vai deixar decidir como as coisas acontecem, e infelizmente, de repente acordamos e somos pessoas irreconhecíveis e com vidas completamente diferentes das que sonhámos.
Eu sempre disse que a minha vida seguiria em linha reta. Não haveria percalços pelo caminho, nada de tragédias, nada de grandes desilusões, nada de dor e sofrimento. Apenas uma linha reta, com momentos de diversão, outros de seriedade, e talvez alguns de tristeza, mas, conhecendo a pessoa que eu era, a tristeza nunca seria muito profunda.
No entanto, dei por mim uma dessas pessoas que não reconheço e que está numa vida que não é a sua.
E a questão é: não tenho reais razões para isso. Daí saber que esta minha guerra com a minha pessoa se deve às nuvens que se instalaram na minha cabeça e que se recusam a sair.
Apaixonei-me enormemente, caros leitores, e creio que todos saberão isso pelos textos tão pouco de mim que têm preenchido este blogue. Continuo a viver a minha vida normal, vou para a escola, venho para casa, faço a minha vida em casa como sempre fiz, estudando, menos do que devia, por sinal, lendo, escrevendo, entre outros. Mantenho os amigos que sempre tive, apesar de os ver com períodos mais intervalados. Conheci toneladas de novas pessoas, algumas com quem me dou bem e que ocupam os meus dias e ajudam a fazer da minha mente um sítio menos escuro.
Entrei no sítio que tinha todos os meus sonhos. Tinha feito uma aposta all-in, toda a minha vida seria ali, todas as minhas expectativas seriam ali e ali estava todo o meu futuro. E não sei se estava errada ou se simplesmente esperei demais de um mero edifício com pessoas.
O que me tem custado mais são as dúvidas. O acordar e não saber o que vou sentir hoje, como vou lidar com isso e se vou sobreviver a mais um dia. Apesar de esta não ser uma doença física, sinto-a matar-me devagarinho, enquanto entra na minha pele e se instala.
Outras dúvidas também me assombram: quem raio é esta pessoa em que me transformei? como lida esta pessoa com a vida? será que voltarei a ser quem era? o que me vai curar? alguma vez vou estar curada? estou no sítio certo? estou na vida certa? vou conseguir cumprir as minhas obrigações? vou conseguir viver e ser excelente apesar disto? serei infeliz para sempre?
Estou feliz hoje por vos dizer que creio estar a vencer esta luta. Por agora. Não acho que alguma vez se ganha totalmente, mas sei que se perde totalmente. Tenho ganho esta luta dizendo a mim própria para tirar prazer das coisas pequenas, para fazer mais esforço, para não chorar mesmo quando me apetece, para tomar os comprimidos, para arranjar ajuda e para sair da minha zona de conforto.
O problema com esta situação, é que ela volta sempre. E quando se pensa que ela desapareceu, ali está ela de novo, a fazer com que desejes dormir até tudo melhorar.
Tenho uma boa vida. Difícil, neste momento, mas boa. Qualquer pessoa na minha situação seria feliz. Tenho pessoas que me amam, saúde, não estou sozinha, não tenho nenhum problema físico ou existente, sendo que supostamente estou no sítio certo a fazer a coisa certa.
Tenho só esta faca espetada num certo sítio do meu coração onde eu não consigo chegar e que me garante que vou fracassar na vida. E vou, se continuar a acreditar nela e a não me esforçar, por melhorar, por ser quem era, por estudar e simplesmente fazer o que me compete.
Dei por mim a querer demasiado a vida das outras pessoas. E dei por mim a decidir que isso não era saudável. Portanto, continuo-o a acordar, a ir, a esperar, e a esforçar-me. Nos últimos dias ganhei alguma esperança de novo. Consegui olhar para os livros de novo, consegui sentir-me um pouco incluída e um pouco entusiasmada. Já voltei a respirar mais livremente.
Não quer dizer que não haja este peso enorme sentado no meu coração, apenas quer dizer que já sinto que consigo ir vivendo com ele. Talvez passe. Talvez não. Talvez seja só uma fase. Talvez seja realmente assim e eu é que vim encantada com flores e contos de fada.
Bem, qualquer que seja a resposta, sinto finalmente que estou a chegar a ela, e não a afastar-me.
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