Adeus, Juventude
Este quarto está mergulhado na mais absoluta escuridão e no calor não incomodativo de primavera. Jazo imóvel sobre a minha cama e deixo que os soluços violentos tomem conta de mim.
Na minha mão prostra-se o símbolo da minha segunda casa. E o mero sentir da textura desse mesmo símbolo envia-me para as minhas ondas de dor fechadas, com as quais nunca soube lidar, ao ponto de as luzes do meu quarto terem de estar desligadas, como se isso me ajudasse a sobreviver-lhes ou a fingir que elas não existem.
Quando esse símbolo me foi dado, fui surpreendida pela primeira onda de dor astronómica, que me abateu violentamente, em forma das perguntas "E agora?", "Para onde vou?", "O que vou fazer?", e em forma das afirmações "Acabou.", "Nunca mais." e "A minha vida mudou para sempre".
Com aquele edifício vai a pessoa que eu fui há 3 anos, as memórias de 3 anos, todas as sensações de 3 anos e, mais importante do que tudo, 3 anos da minha vida.
Aquele edifício leva consigo a sepultura da minha juventude.
E, afinal de contas, que vou eu fazer agora? Viver. Não tenho outro remédio que não virar a página e as costas e avançar em direção a um futuro incerto. Que, por sinal, eu temo com todas as forças. Mas nem disso me lembrarei daqui a uns meses, talvez até semanas.
Nenhum de nós se lembrará de tudo isto, de tudo o que fomos, sentimos e conhecemos. A nossa vida mudou para sempre e não há como alterar esse facto, não há como voltar a reviver tudo, não há como voltar àquele primeiro dia, em que estávamos fascinados e aterrorizados, e não conseguíamos de maneira nenhuma imaginar o último.
Ora, esse último dia chegou. E somos todos pessoas absolutamente diferentes, de todas as maneiras possíveis e imaginárias. No entanto, parece que nada mais importa do que o facto de ser o fim. Se estes 3 anos contiveram felicidade, tristeza ou canseiras? É indiferente. O que importa é que estes 3 anos passaram, e com eles também passou a parte mais fácil da nossa vida.
Apesar de eu neste momento estar a permitir-me este lapso, eu prometo que me levantarei.
E, assim que eu conseguir sair desta cama que range com as minhas convulsões e se molha das minhas lágrimas, eu lá me levantarei rumo ao futuro que prometi a mim mesma e que aquele edifício verde me proporcionou.
Por isso: adeus minha casa, adeus meu passado, adeus velho eu, adeus meus amigos e conhecidos, adeus desconhecidos, adeus meu coração, Adeus minha Juventude...
Posso não me lembrar de vocês, mas nunca vos esquecerei.
Na minha mão prostra-se o símbolo da minha segunda casa. E o mero sentir da textura desse mesmo símbolo envia-me para as minhas ondas de dor fechadas, com as quais nunca soube lidar, ao ponto de as luzes do meu quarto terem de estar desligadas, como se isso me ajudasse a sobreviver-lhes ou a fingir que elas não existem.
Quando esse símbolo me foi dado, fui surpreendida pela primeira onda de dor astronómica, que me abateu violentamente, em forma das perguntas "E agora?", "Para onde vou?", "O que vou fazer?", e em forma das afirmações "Acabou.", "Nunca mais." e "A minha vida mudou para sempre".
Com aquele edifício vai a pessoa que eu fui há 3 anos, as memórias de 3 anos, todas as sensações de 3 anos e, mais importante do que tudo, 3 anos da minha vida.
Aquele edifício leva consigo a sepultura da minha juventude.
E, afinal de contas, que vou eu fazer agora? Viver. Não tenho outro remédio que não virar a página e as costas e avançar em direção a um futuro incerto. Que, por sinal, eu temo com todas as forças. Mas nem disso me lembrarei daqui a uns meses, talvez até semanas.
Nenhum de nós se lembrará de tudo isto, de tudo o que fomos, sentimos e conhecemos. A nossa vida mudou para sempre e não há como alterar esse facto, não há como voltar a reviver tudo, não há como voltar àquele primeiro dia, em que estávamos fascinados e aterrorizados, e não conseguíamos de maneira nenhuma imaginar o último.
Ora, esse último dia chegou. E somos todos pessoas absolutamente diferentes, de todas as maneiras possíveis e imaginárias. No entanto, parece que nada mais importa do que o facto de ser o fim. Se estes 3 anos contiveram felicidade, tristeza ou canseiras? É indiferente. O que importa é que estes 3 anos passaram, e com eles também passou a parte mais fácil da nossa vida.
Apesar de eu neste momento estar a permitir-me este lapso, eu prometo que me levantarei.
E, assim que eu conseguir sair desta cama que range com as minhas convulsões e se molha das minhas lágrimas, eu lá me levantarei rumo ao futuro que prometi a mim mesma e que aquele edifício verde me proporcionou.
Por isso: adeus minha casa, adeus meu passado, adeus velho eu, adeus meus amigos e conhecidos, adeus desconhecidos, adeus meu coração, Adeus minha Juventude...
Posso não me lembrar de vocês, mas nunca vos esquecerei.
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