Insanamente
Não pode ser. Não. Não consigo.
Quem é esta pessoa? Não sou eu. O corpo é meu, mas não me reconheço, não reconheço os meus gestos, as minhas palavras ou os meus desejos.
E há quem chame a isto uma sensação agradável? Estão loucos. Só podem estar doidos, mais doidos ainda do que eu. Como é que é possível?
Eu não queria mudar, nem que seja momentaneamente. Não queria, nem quero, depender, necessitar ou desejar. Que raio é que se passa? E porquê que se propaga esta sensação de perda? E porquê que já não mando nas minhas emoções?
Sinto-me a cair num poço profundo, sem nada a que me agarrar. Parece que nem me posso agarrar a mim própria, pois não estou a criar qualquer tipo de defesas, não estou a resistir ou a protestar. Parece que ando tão surpreendida que ando simplesmente a escorregar para algo de onde sei que não vou saber sair.
Dizem-me para não ser pessimista. Mas esquecem-se que não pensar o pior das pessoas é o que leva a quedas sérias. E eu já estou farta de cair. Pelos vistos, estou tão farta de cair que também estou farta de me tentar impedir de cair. Caio de qualquer das maneiras, portanto, parece quase irrelevante.
No entanto, não pode ser irrelevante. Não posso confiar, de novo. Porque raio é que ainda me permito a confiar ou a acreditar? Porque raio é que não me travo completamente, sabendo como é, tendo a perfeita noção de como tudo é?
Porque sou ingénua. Tão inteligente, tão velha, e, no entanto, apenas uma menina ingénua. É tão ridículo e patético, que nem sequer é triste.
Esqueço-me da pessoa que sou. E isso é grave. É grave que a minha personalidade se torne secundária, que a minha desnecessidade de afeto desapareça, que as minhas palavras se adocem. Quem é esta pessoa que diz e faz tudo isto? Recuso-me a acreditar que sou eu. Recuso-me a acreditar que, de cada vez que tudo se processa, só a expressão começada por "insanamente" me passe pelo meu antes brilhante cérebro. Mas, vá, que insana estou realmente! Absolutamente fora de mim, louca, perdida dentro de mim própria. Estou absolutamente em controlo de mim e, ao mesmo tempo, parece que as minhas ações não são minhas.
Há uma parte de mim que sente a urgência absoluta de fugir. Não pelo típico pânico, mas pelo medo do que isto me vai fazer. Do que vai alterar em mim. E por medo de um fim que eu já sei que vai ser desastroso. Claro que eu sobreviveria a outro fim desastroso, mas as minhas emoções não. Se eu já não compreendo como é possível sentir alguma coisa após tantos meses absolutamente dormente de sensações, quanto mais após mais um fim. Será o fim da minha tolerância por romances, o fim das minhas aventuras, e o fim de tudo o que alguma vez me fez estremecer.
Portanto, O QUE RAIO ESTOU EU A FAZER? E quem raio é a pessoa que quer dar a mão, ouvir durante horas e passar o tempo todo a tocar noutra pessoa? Onde está a minha contenção, a minha astúcia, o meu autocontrolo?
Estou petrificada de medo de mim própria. Sou o meu maior inimigo. Sei-o a partir do momento em que já não mando no que faço.
Porquê que o meu corpo não está a criar anticorpos para combater esta infeção??? Porquê que a minha mente não me está a conseguir convencer com argumentos brilhantes e retórica afiada??? Porquê que toda eu pareço não reagir às minhas ordens, mas antes as ordens de um desejo que eu nem sequer reconheço??? Porque esse desejo não é definitivamente meu, o que esse desejo implica é demasiado grave.
Preciso de me controlar. Pode haver quem não entenda esta minha necessidade de criar barreiras, mas, se eu não o fizer, o que vai sobrar de mim? O que me vai impedir de ser queimada de novo? O que me vai impedir de sangrar desilusão? Preciso de me travar, em todos os sentidos. Preciso de dar um passo atrás. Preciso de não precisar, de não reparar, de não querer saber.
Preciso de não estar "insanamente". Preciso de me recuperar e de voltar a preencher os meus pensamentos comigo. Preciso de não ter esta sensação de estar a cair de um precipício. No fim desse precipício não está um chão almofadado, ou mesmo liso. No fim desse precipício estão espinhos que se vão enterrar na minha carne.
Preciso de dar um passo atrás. Mas não quero. Deus sabe que não quero... Daí que estes desejos não sejam meus.
Preciso de me concentrar em divertir-me em vez de pensar em implicações, idiotices e planos. Tenho de me divertir. Tenho de me esquecer pelo menos um bocadinho. Tenho de me concentrar em brincadeira e outros tipos de seriedade. Não tenho tempo, nem aguento, mais do que isso. Portanto, vou tentar aproveitar só.
Como se eu conseguisse fazer isso.
Quem é esta pessoa? Não sou eu. O corpo é meu, mas não me reconheço, não reconheço os meus gestos, as minhas palavras ou os meus desejos.
E há quem chame a isto uma sensação agradável? Estão loucos. Só podem estar doidos, mais doidos ainda do que eu. Como é que é possível?
Eu não queria mudar, nem que seja momentaneamente. Não queria, nem quero, depender, necessitar ou desejar. Que raio é que se passa? E porquê que se propaga esta sensação de perda? E porquê que já não mando nas minhas emoções?
Sinto-me a cair num poço profundo, sem nada a que me agarrar. Parece que nem me posso agarrar a mim própria, pois não estou a criar qualquer tipo de defesas, não estou a resistir ou a protestar. Parece que ando tão surpreendida que ando simplesmente a escorregar para algo de onde sei que não vou saber sair.
Dizem-me para não ser pessimista. Mas esquecem-se que não pensar o pior das pessoas é o que leva a quedas sérias. E eu já estou farta de cair. Pelos vistos, estou tão farta de cair que também estou farta de me tentar impedir de cair. Caio de qualquer das maneiras, portanto, parece quase irrelevante.
No entanto, não pode ser irrelevante. Não posso confiar, de novo. Porque raio é que ainda me permito a confiar ou a acreditar? Porque raio é que não me travo completamente, sabendo como é, tendo a perfeita noção de como tudo é?
Porque sou ingénua. Tão inteligente, tão velha, e, no entanto, apenas uma menina ingénua. É tão ridículo e patético, que nem sequer é triste.
Esqueço-me da pessoa que sou. E isso é grave. É grave que a minha personalidade se torne secundária, que a minha desnecessidade de afeto desapareça, que as minhas palavras se adocem. Quem é esta pessoa que diz e faz tudo isto? Recuso-me a acreditar que sou eu. Recuso-me a acreditar que, de cada vez que tudo se processa, só a expressão começada por "insanamente" me passe pelo meu antes brilhante cérebro. Mas, vá, que insana estou realmente! Absolutamente fora de mim, louca, perdida dentro de mim própria. Estou absolutamente em controlo de mim e, ao mesmo tempo, parece que as minhas ações não são minhas.
Há uma parte de mim que sente a urgência absoluta de fugir. Não pelo típico pânico, mas pelo medo do que isto me vai fazer. Do que vai alterar em mim. E por medo de um fim que eu já sei que vai ser desastroso. Claro que eu sobreviveria a outro fim desastroso, mas as minhas emoções não. Se eu já não compreendo como é possível sentir alguma coisa após tantos meses absolutamente dormente de sensações, quanto mais após mais um fim. Será o fim da minha tolerância por romances, o fim das minhas aventuras, e o fim de tudo o que alguma vez me fez estremecer.
Portanto, O QUE RAIO ESTOU EU A FAZER? E quem raio é a pessoa que quer dar a mão, ouvir durante horas e passar o tempo todo a tocar noutra pessoa? Onde está a minha contenção, a minha astúcia, o meu autocontrolo?
Estou petrificada de medo de mim própria. Sou o meu maior inimigo. Sei-o a partir do momento em que já não mando no que faço.
Porquê que o meu corpo não está a criar anticorpos para combater esta infeção??? Porquê que a minha mente não me está a conseguir convencer com argumentos brilhantes e retórica afiada??? Porquê que toda eu pareço não reagir às minhas ordens, mas antes as ordens de um desejo que eu nem sequer reconheço??? Porque esse desejo não é definitivamente meu, o que esse desejo implica é demasiado grave.
Preciso de me controlar. Pode haver quem não entenda esta minha necessidade de criar barreiras, mas, se eu não o fizer, o que vai sobrar de mim? O que me vai impedir de ser queimada de novo? O que me vai impedir de sangrar desilusão? Preciso de me travar, em todos os sentidos. Preciso de dar um passo atrás. Preciso de não precisar, de não reparar, de não querer saber.
Preciso de não estar "insanamente". Preciso de me recuperar e de voltar a preencher os meus pensamentos comigo. Preciso de não ter esta sensação de estar a cair de um precipício. No fim desse precipício não está um chão almofadado, ou mesmo liso. No fim desse precipício estão espinhos que se vão enterrar na minha carne.
Preciso de dar um passo atrás. Mas não quero. Deus sabe que não quero... Daí que estes desejos não sejam meus.
Preciso de me concentrar em divertir-me em vez de pensar em implicações, idiotices e planos. Tenho de me divertir. Tenho de me esquecer pelo menos um bocadinho. Tenho de me concentrar em brincadeira e outros tipos de seriedade. Não tenho tempo, nem aguento, mais do que isso. Portanto, vou tentar aproveitar só.
Como se eu conseguisse fazer isso.
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