De Volta
Perdi-me durante um tempo. Não posso dizer com toda a certeza que me encontrei de novo, pois sei que estaria a mentir. A vida passa por mim tão depressa que eu já não consigo distinguir o que é a minha vida do que é apenas passageiro.
Já não sou a pessoa que era quando aqui comecei a escrever. Fui muitas e muitas pessoas entretanto, nesta mera meia década que passou. Conheci muitas pessoas entretanto e muitas mais saíram da minha vida. Fui intensamente feliz, tanto quanto uma pessoa como eu o pode ser, fui miserável, e fui, como costumava sempre ser, indiferente.
Já não sou nenhuma dessas pessoas hoje. Sou alguém diferente, uma espécie de espectro de transição entre as fases da minha vida. Entristece-me o quanto tive que crescer. Tornei-me numa pequena adulta, sou ponderada, opinativa, em vez de agressiva, calma quando antes explodiria. Sorrio quando tenho que o fazer, seguro no braço do meu namorado, tenho conversas intelectuais e já não perco horas a olhar para o espelho.
A pessoa que sou hoje é muito parecida com a pessoa que fui, mas tão incompatível com essa pessoa como azeite de água. Não vivo em certezas, mas estou em pura estabilidade. Todos os meus pensamentos têm que ver com um futuro que nem sei se alguma vez chegará. Já não sou tão zangada, tão distraída, nem tenho tanta necessidade de estar do outro lado do mundo. Por contrapartida, fui definitivamente mais triste e a sensação de que devia estar noutro sítio permanece. O que me deixou de vez foi a sensação que tinha quando me olhava ao espelho, a vontade de violência, e a violenta vontade. Sou um rio que corre, hoje em dia, sem cortes, sem paragens. A minha vida e a minha juventude passa-me ao lado. Um destes dias hei de olhar para o espelho e ver que já nem me reconheço.
Já não sei o que quero, ou se na verdade quero alguma coisa. Penso que só quero que o tempo avance, tal como quero que ele pare imediatamente. Não há nada na minha vida digno de se parar para ver, mas a probabilidade é que nunca mais haverá. Sou feliz, não felicíssima, não miserável. Os dias misturam-se e pouco deles se marcam em mim. Estou maioritariamente destroçada por não ser quem imaginei que seria nesta altura da minha vida e ao mesmo tempo feliz, porque o padrão que tinha estabelecido para mim era inatingível e prefiro ser quem sou.
Quem eu sou não é muito interessante, no entanto. Uma personalidade forte, mas essencialmente estranha, numa rapariga vagamente bonita, e com uma vida extremamente desinteressante. A culpa do aborrecimento da minha vida não é meu, ou das pessoas nela envolvida, é essencialmente da já referida personalidade forte, mas essencialmente estranha que me faz sentir fragmentada e como se boa parte da minha alma estivesse noutra dimensão. Claro que não está noutra dimensão, está é noutro espaço temporal, algures perdida no tempo. Para alguém tão nova como eu, tenho um medo excessivo e irracional de envelhecer. Não no sentido físico da palavra, pois as minhas melhores características nunca estiveram na minha aparência. Tenho um medo frio de acabar por nunca ser nada do que imaginei, e por a vida por que tanto esperei passar por mim sem me reconhecer.
Mas claro que tudo isto é uma parvoíce. Muito daquilo em que penso é uma parvoíce nestes dias.
Aquilo por que procuro ainda não existe, portanto e como sempre, e como tenho dito na última meia década, há que esperar. Esperar por ser inteira.
Já não sou a pessoa que era quando aqui comecei a escrever. Fui muitas e muitas pessoas entretanto, nesta mera meia década que passou. Conheci muitas pessoas entretanto e muitas mais saíram da minha vida. Fui intensamente feliz, tanto quanto uma pessoa como eu o pode ser, fui miserável, e fui, como costumava sempre ser, indiferente.
Já não sou nenhuma dessas pessoas hoje. Sou alguém diferente, uma espécie de espectro de transição entre as fases da minha vida. Entristece-me o quanto tive que crescer. Tornei-me numa pequena adulta, sou ponderada, opinativa, em vez de agressiva, calma quando antes explodiria. Sorrio quando tenho que o fazer, seguro no braço do meu namorado, tenho conversas intelectuais e já não perco horas a olhar para o espelho.
A pessoa que sou hoje é muito parecida com a pessoa que fui, mas tão incompatível com essa pessoa como azeite de água. Não vivo em certezas, mas estou em pura estabilidade. Todos os meus pensamentos têm que ver com um futuro que nem sei se alguma vez chegará. Já não sou tão zangada, tão distraída, nem tenho tanta necessidade de estar do outro lado do mundo. Por contrapartida, fui definitivamente mais triste e a sensação de que devia estar noutro sítio permanece. O que me deixou de vez foi a sensação que tinha quando me olhava ao espelho, a vontade de violência, e a violenta vontade. Sou um rio que corre, hoje em dia, sem cortes, sem paragens. A minha vida e a minha juventude passa-me ao lado. Um destes dias hei de olhar para o espelho e ver que já nem me reconheço.
Já não sei o que quero, ou se na verdade quero alguma coisa. Penso que só quero que o tempo avance, tal como quero que ele pare imediatamente. Não há nada na minha vida digno de se parar para ver, mas a probabilidade é que nunca mais haverá. Sou feliz, não felicíssima, não miserável. Os dias misturam-se e pouco deles se marcam em mim. Estou maioritariamente destroçada por não ser quem imaginei que seria nesta altura da minha vida e ao mesmo tempo feliz, porque o padrão que tinha estabelecido para mim era inatingível e prefiro ser quem sou.
Quem eu sou não é muito interessante, no entanto. Uma personalidade forte, mas essencialmente estranha, numa rapariga vagamente bonita, e com uma vida extremamente desinteressante. A culpa do aborrecimento da minha vida não é meu, ou das pessoas nela envolvida, é essencialmente da já referida personalidade forte, mas essencialmente estranha que me faz sentir fragmentada e como se boa parte da minha alma estivesse noutra dimensão. Claro que não está noutra dimensão, está é noutro espaço temporal, algures perdida no tempo. Para alguém tão nova como eu, tenho um medo excessivo e irracional de envelhecer. Não no sentido físico da palavra, pois as minhas melhores características nunca estiveram na minha aparência. Tenho um medo frio de acabar por nunca ser nada do que imaginei, e por a vida por que tanto esperei passar por mim sem me reconhecer.
Mas claro que tudo isto é uma parvoíce. Muito daquilo em que penso é uma parvoíce nestes dias.
Aquilo por que procuro ainda não existe, portanto e como sempre, e como tenho dito na última meia década, há que esperar. Esperar por ser inteira.
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