Medos

Meus queridos leitores,
Nos últimos tempos, tenho andado bloqueada em termos literários. Assim sendo tenho deixado a minha mente descansar, não me forçando a escrever textos que de certeza sairiam inconsequentes e forçados.
Hoje, no entanto, decidi que era altura de o fazer e que, não estando inspirada, deveria fazer algo que nunca faço: dirigir-me a vocês diretamente.
Além disso irei hoje, também, escrever mais do que um texto para compensar todos aqueles dias em que não fiz nenhum.
Neste texto em particular vim abordar um assunto que me tem incomodado especialmente nos últimos dias. Os medos. Não me refiro a medos de demónios ou a sobrenaturais ou coisa do género, nem a fobias.
Refiro-me a medos no que toca ao futuro.
Fui amaldiçoada com esta incapacidade de viver no presente. Só me é possível viver ou no passado ou no futuro. Nos últimos tempos o passado já não me incomoda (razão principal do meu bloqueio de escritor), portanto tenho-me atormentado com os meus planos para o futuro.
Caros leitores, eu encontro-me a meio do secundário. Não percebo muito bem como, sendo que ainda há uns piscares de olhos atrás eu estava no oitavo ano. A velocidade do tempo aterroriza-me muito mais do que qualquer demónio. De qualquer das maneiras, o secundário tem passado à velocidade da luz, o que comprova a ideia que eu tinha dele: uma passagem rápida, irritante e trabalhosa. Mas qualquer coisa é melhor do que o que me espera no final da escolaridade obrigatória. Exatamente porque até lá sei que fazer, que esperar. Depois é simplesmente um túnel escuro que poderá muito bem conter monstros e até o fim do mundo. Gosto de previsibilidade. Não gosto de estar na ignorância, de não saber.
O meu dilema no que toca ao meu futuro, queridos leitores, não é a entrada na faculdade, nem coisa parecida. O meu problema é o que acontecerá quando lá chegar.
Os maravilhosos adultos na minha vida suspiram de saudades dos ''melhores anos da vida deles''. Acredito que acabem por ser, mas e no início? Não sou uma pessoa sociável ou que crie empatia, meus queridos, portanto acredito que terei de passar muitos serões sozinha. Pior, tenho medo que, à semelhança dos meus pais e de tantos outros, simplesmente encontre o tão aclamado ''amor da minha vida'', que me case mal acabe o curso e pronto. Ponto final parágrafo. E tudo o que terei para mostrar será um marido. 
Não é tão triste? Ainda mais triste do que passar o resto da vida sozinha.
Daí a minha ansiedade no que toca ao futuro. Quero ser livre, viajar pelo mundo todo, saber tudo o que há para saber, tirar todos os cursos que me interessarem, ter todos os amigos que o meu caráter antissocial me permitir, ler todos os livros que existirem, escrever alguns talvez, viver sozinha por muitos anos, sem responsabilidades. Até bem dentro dos meus 30 anos. Depois, aí sim. Aí pensarei em juntar-me com alguém, estabilizar a vida, construir uma família. Não convencional, claro, pois não haverá nem alianças, nem crianças, muito provavelmente.
E aí sim. Aí terei a vida que sempre quis, aí serei a pessoa que sempre quis. Não me importo de morrer sozinha se isso me tiver permitido fazer tudo o que sempre quis, fazer algo por mim, pelo meu país, pelo mundo. Só assim morrerei em paz. E homens far-me-ão falta, claro, mas homens são distrações. E eu posso arranjar muitos ao longo do tempo, mas assentar com um e, aliás, assentar tão cedo, apenas me ia fazer infeliz. Além disso não tenciono assentar enquanto o papel da mulher numa relação não for revogado.
Só não quero uma vida medíocre, aborrecida. O que imagino que seja o que a maior parte das pessoas quer. Eu não. Não me permitirei morrer enquanto não tiver tido aventura, intensidade, eternidade. 
Percebe-se então perfeitamente o meu maior medo, o que me paralisa e o que me destrói um bocadinho de cada vez que penso nele: ser infeliz. E ser infeliz para mim significa resumir a minha vida a viver numa terrinha, ter um empregozito e proporcionar sexo, filhos e comida a um homem medíocre a que chamo marido. Não fui feita para ser criada ou mãe de ninguém. Fui feita para a excelência, para a grandeza. Fui feita para fazer este país progredir, este mundo progredir. E nunca, mas nunca me contentar com menos.
Isto dito, espero que não vos tenha assustado com as minhas convicções que me aquecem o peito e me dão alento. E fica já dito que vos agradeço profusamente por me terem acompanhado este tempo todo, mesmo que a maior parte de vós me ache extremamente narcisista e talvez um pouco extremista. Mas eu sou como todos vocês. Só quero ser feliz. Lamento que não seja da maneira a que os meus amigos de terras pequenas estão habituados.
Assim sendo, meus queridos leitores, aí está o meu maior medo: não fazer nada comigo própria, não ser nada. Simplesmente resignar-me com a mediocridade.
Muito obrigada, meus queridos. E até à próxima.
Já agora, qual é o vosso maior medo?...

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