Mensagens

Merecer

Passa pouco da uma da manhã de um sábado. E eu, por muito que queira, não consigo dormir. Tenho que me levantar cedo de manhã, mas o meu cérebro não consegue parar. É uma tortura, e para a atenuar vim escrever. O pensamento que mais me atormenta é uma simples frase, que no entanto me rói as entranhas. ''Ele merece isto?'' Bastante simples: ''Não. Tu não estás preparada para isto. Não estás preparada para esta relação, não estás preparada para resolver nada, não estás preparada para crescer, não estás preparada para mudar, não estás preparada para nada. A maior parte das vezes debates-te com isto, com o que está a acontecer. Com as mudanças. Porque não estavas preparada para elas. Quando não te debates com isto, mergulhas num ponto de felicidade que passa depressa. Esta tua inconstância leva-te ao desespero, porque num segundo estás tremendamente feliz e no outro queres apenas fechar os olhos, dormir e fingir que o mundo não existe. E ele... Ele trata-te...

O Bem

Dear John, Não acredito no que me dizem, John. Não acredito naquilo que fazem de ti. Todos os erros que tenhas cometido foram ampliados mil vezes. Mas eu conheço essa sensação, John. Por isso não te julgo. Mesmo que te deteste muitas vezes, não te julgo. Todos os insultos que já te dirigi, foram da boca para fora. Ditos por despeito. Porque a verdade é que não acredito que sejas assim. Luto muitas vezes contra ti, no meu pensamento. Tenho mil confrontos contigo. E o fim é sempre o mesmo. A minha desgraça. Porque nunca te conseguiria magoar, por muitos anos que passem, por muito que me desfaças ao longo dos tempos. Nunca te magoaria, John. Tornaste-me forte. Confiante. E eu amei-te por isso. Vi em pequenos gestos teus, a minha vida. ''Tive tantas saudades tuas''. ''Marcaste-me''. Com pequenas palavras, roubaste  a minha alma. Ainda não ma entregaste por completo. Perdoei-te por isso também. Perdoei-te por tudo. Perdoei-te porque na minha mente contin...

Errada

Tenho uma péssima reputação. Estou neste momento a admitir perante vocês, meus leitores, que a tenho. Tenho-a graças aos erros infantis que cometi. Mas mesmo que não os tivesse cometido, tê-la-ia na mesma. Tê-la-ia na mesma porque não sou uma rapariguinha inocente e doce. Os meus olhos não brilham de esperança, não coro de vergonha e não hesito em todos os meus passos. Não gosto de demonstrações de afeto e não gosto de admitir que tenho um coração sequer, talvez porque preferia não o ter. Criei esta ilusão, de que sou esta rapariga vazia, forte e dura. Quem me dera sê-lo. Mas a verdade é que me desfaço facilmente. Só que tenho dignidade e orgulho suficiente para me manter impassível. E se me ofenderam, não lhes vou dar o prazer de o saberem. Não lhes vou dar o prazer de saberem que são bons o suficiente para me afetarem. Não quer dizerem que não o tenham feito. Tudo o que alguma vez quis foi encontrar alguém que visse através da máscara e que me aceitasse assim. Mas a verdade é que ...

Simplesmente

Tal como já deu para assimilar, tenho inúmeros defeitos. Intermináveis listas deles. Aceitei-os a todos, cheguei até a amá-los por uns tempos. Mas depois existe a franqueza. Esta caraterística minha é tanto a minha desgraça como o meu orgulho. Atenção que eu não disse a honestidade e sim a franqueza. Daí o ser um livro aberto. E simplesmente foi-me fácil admitir, com franqueza, que o meu coração tinha voltado aos meus mundos paralelos, completamente execráveis. Já me perdi neles. De tal forma que não consegui voltar a emergir, afundando a minha vida neles. Mantive-me forte por tanto e tanto tempo. Controlei-me, reprimi-me, desfiz-me, refiz-me, formatei-me, reprogramei-me. Talvez se pense que é um exagero, mas não. Conheço-me. Precisava urgentemente de uma mudança. Senão voltaria a fazer asneiras. Por incrível que pareça, tomei a decisão certa. Fiz a mudança certa. E cresci. Por segundos, por momentos. Demorei bastante a adaptar-me à mudança. Ainda o estou a fazer. Até porque tive d...

Heaven

Todos os dias as pessoas fazem qualquer coisa para que a sua vida na terra fique marcada , para que saibam que estiveram cá , para que não sejam esquecidos. Mas para quê , para quê se olharmos à noite para o céu, vemos as estrelas e sabemos no nosso íntimo que vai haver alguém a chorar por uma das estrelas . Uma estrela que se apagou da Terra e que se acendeu no céu. Essa estrela nunca será esquecida. Será sempre o peso nos ombros de alguém , a dor no peito de alguém , o constante pensamento de uma pessoa . E no entanto , olhamos para o céu e ficamos nostálgicos e com empatia por esse tipo de pessoas. Falando por experiência própria, eu diria que sentimos um buraco no peito , e é nesses momentos que nos sentimos tão pequenos como se fôssemos outra vez crianças , a olhar para algo tão vasto que nos faz sonhar . E uma lágrima rola nas faces da criança por saudades de nada e por felicidade por nada . Sem razão nenhuma , a dor que nos avassala mantem-se e é quase ... reconfortante ....

Infância

Imagem
Quando era pequena, quando ser alta era estar no colo do meu pai, quando a única contorção que a minha boca fazia era num sorriso, quando ser adulta era ser bonita, … Aí, no meu mundo de fantasia, eu imaginava todo o meu ser transformado. Olhava para o espelho e imaginava alguém igual, mas maior, mais segura. Lembro-me que a minha avó tinha um espelho na parede, no qual eu precisava de estar no colo de alguém para me conseguir ver. Lembro-me que anos depois apenas precisava de saltar, que anos depois só precisava de me pôr em bicos de pés e que mais tarde, conseguia ver-me sem nada ter de fazer . Agora sou quase maior que esse espelho. Revejo agora todos os filmes da minha infância. E choro. Porque foram os meus melhores anos. Ao longo do tempo, fui cometendo cada vez mais erros, tornando-me cada vez menos inocente, sorrindo cada vez menos. A raiva tomou conta da felicidade, a melancolia da inocência e a vergonha da imaginação. E é assim crescer. Por vezes, olhamo-nos ao ...

O meu coração...

Imagem
No meu peito jaz um moribundo. Um moribundo que tenta sobreviver a todo o custo. Bate ainda, mecanicamente. O moribundo chora, perante a dor que o atravessa, tendo noção que é o fim. O moribundo que procura nos ínfimos da sua existência uma razão para continuar, porque quer continuar, quer lutar até ao fim. E o meu moribundo volta a tardes de sol, a eternidades num banco. O meu moribundo sofre, cada vez mais, cada vez menos. E deixa-se embalar nas profundezas dos pensamentos, retomando sentimentos esquecidos. A minha boca sorri, um sorriso sonhador, uma sombra da felicidade de outros tempos. Os meus olhos insistem em torturar-se a ler cartas, textos. A ler a vida que passou. E o meu moribundo pára de bater nesses momentos em que eu já não sou eu, e sou sim, o eu de tempos atrás. O meu rosto, pálido, inexpressivo, observa o espelho. Observa o ser que mais amei, e morre mais um pouco. As minhas mãos, mortas e inertes, as que registam estas palavras, tremem com o frio que vem das pro...